NÉLSON ÉVORA: HOMEM DO ANO 2008

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NÉLSON ÉVORA: HOMEM DO ANO 2008

Mensagem  bzaina em Qua Dez 31, 2008 9:21 am

Quatro tinham sido já os Homens do Ano para A BOLA: José Mourinho, Nuno Gomes, Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma. O de 2008 é Nélson Évora, campeão olímpico de triplo-salto em Pequim. Que se tornou o primeiro a receber o troféu especialmente desenhado para esta consagração.


Foi-lhe entregue, durante um almoço no Hotel Altis, em Lisboa, por Mário Arga e Lima, presidente do Conselho de Administração da Sociedade Vicra Desportiva - que contou com a presença de Laurentino Dias, secretário de Estado do Desporto, de Mário Moniz Pereira e de Carlos Lopes. E as outras duas campeãs olímpicas de Portugal e respectivos treinadores só não marcaram presença porque a essa hora se encontravam na Madeira – para participar na Volta ao Funchal.

Fernanda Ribeiro enviou mensagem por email. Ao escutá-la, Évora emocionou-se. Dizia assim: «Lembras-te daquele nosso almoço, lá em Pequim? Não foi preciso que tu me falasses nisso, no teu sonho, mas não sei porquê sempre que eu olhava para os teus olhos sentia que dentro de ti havia uma esperança tão grande que te ia dar asas... Por isso, quando tive de regressar a Portugal, cheia de pena de não poder estar nas bancadas do estádio olímpico a gritar por ti, a sonhar contigo, deixei a China com uma certeza: que quando cá chegasse e olhasse para a televisão te veria a voar para aquele paraíso mágico por que eu também passei em Atlanta...

São sensações, são emoções que não se conseguem explicar bem por palavras, mas eu sei o que tu estavas a sentir naquele momento em que já não conseguiste segurar as lágrimas, te embrulhaste na bandeira e foste o nosso herói. Tenho de dizer-te agora: naquele instante eu também chorei de felicidade por ti. E foi tão bom... Por isso, só não estando aí fisicamente, quero dizer-te que mais do que ninguém tu mereces este Prémio que ABOLA te dá, um prémio que tem um valor simbólico muito grande porque no lugar onde tu estás poderia estar o Cristiano Ronaldo e quem está és tu, porque quem te deu o prémio percebeu que ser campeão olímpico é ser maior do que qualquer sonho e por isso também está de parabéns...»

Rosa Mota estava para telefonar de surpresa para o Altis - não conseguiu fazê-lo porque teve viagem atribulada para o Funchal. Fê-lo quando a cerimónia já tinha terminado: «Claro, o Nélson Évora está de parabéns mas o jornal A BOLA também, pela escolha que fez e pela coragem que demonstrou. Tendo Cristiano Ronaldo feito a época fantástica que fez não era fácil fazer do Nélson o Homem do Ano. Fizeram-no porque perceberam que os Jogos Olímpicos são a excelência do desporto e obviamente é nessa escolha que eu me revejo...»

Na sala estavam para além de amigos e familiares, João Ganço, a mulher e os filhos. Foi a eles que Nélson Évora dedicou o prémio que acabara receber e afagar no peito: «Estou, claro, muito grato, muito honrado, muito feliz. E mal olhei para a estatueta sabem o que logo me saltou à cabeça? Aqueles tempos em que eu, mais mocinho, andava sempre à procura do meu nome no jornal, quando ele lá aparecia, recortava-o, guardava a tirinha com tanta ternura, com tanta emoção. Como tudo mudou, entretanto. Em Osaka, depois de ter sido campeão do Mundo, tive a primeira grande surpresa.

Nem queria acreditar. Os meus amigos, de cá, mandaram mensagens dizendo que a primeira página de A BOLA era quase toda minha. Nem queria acreditar, achei que em vez do meu ouro poderia ser mais importante o bigode do pai de um jogador de futebol qualquer. Aconteceu Pequim, a primeira página voltou a ser quase toda do meu ouro. Não é por ser eu a lá estar, mas isso demonstra da parte de A BOLA uma evolução ao nível da cultura desportiva, que é bom que continue - porque por muito que se diga que as pessoas só lêem futebol eu sinto cada vez mais que não é bem assim, também lêem outras coisas, têm sede de outro tipo de informação...»

E foi então que Ganço, o seu treinador, explicou, deliciado - porque Évora deixara, pouco antes, a sala a estoirar de riso: «Quando o Nélson bateu pela primeira vez o recorde nacional do triplo-salto, em Moscovo, o professor Moniz Pereira ligou-me a dizer: já viste o que aconteceu, a notícia do recorde está lá na quadragésima sétima página dos jornais, na primeira nem uma notinha, na primeira de um deles o que está é que o Caneira marcou um golo e o pai cortou o bigode...»
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